Mostrar mensagens com a etiqueta {anita mamã}. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta {anita mamã}. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

{anita mamã} - o paganastá

É certo: nos dias em que tenho mais pressa ele avança mais lentamente.
Perdemos o autocarro, ainda há quatro quarteirões para percorrer e o miúdo a pedinchar não sei o quê, a apanhar coisas do chão, a sentar-se nas soleiras das portas, a dizer que já está cansado, a andar como um pateta.
-Simão, pelo menos anda como gente! Dá a mão, a mãe tem pressa.
-Sou o paganastá!
-És o quê?
-O paganastá, o paganastá, mãe. Não sabes? O paganastá anda na rua assim...
Percorri mentalmente a lista de todos os bichos estranhos que as mães dos rapazinhos de 5 anos têm obrigação de conhecer: suricatas, guaxinis, tapires, tamanduás, tatus, pangolins, ornitorrincos, equidnas, quivis, lémures... inútil, na minha memória não viviam paganastás.
-A mãe não sabe o que é um paganastá.
Então ele fez uma expressão de desespero que eu já tinha visto em todos os meus professores de matemática e começou a cantarolar a música do paganastá.

Uu-pá-ganastá

sábado, 22 de dezembro de 2012

{anita mamã}


O Natal na era dos centros comerciais não perdeu a sua vertente espiritual. É na verdade um teste de Deus à capacidade de sentir amor e compaixão pelo próximo. Passei com distinção: 4 horas no Amoreiras sem sequer matar ninguém.

Um calor dos infernos, filas para fazer embrulhos, sede, sacos, casacos a mais, correrias, esquecimentos e o miúdo impaciente a intercalar birras com demonstrações de trivial:
"Mãe, sabes que o nosso cérebro parece que é feito de minhocas?"

O meu, agora, sem dúvida que sim...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

querido diário

Esta manhã plantei os pés de couve que a minha avó me deu, pus a salvo as alfaces que sobreviveram à maldita praga de caracóis, orientei as trepadeiras, mudei as violetas de sitio, arranquei as ervas daninhas.
Enfim, estive duas horas entretida a ser a pessoa mais feliz do mundo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

{anita mamã}

 

Três velhos cabides de metal foram o brinquedo estrela durante um fim-de-semana inteiro.
"Olha mãe, sou o Wolverine!!!"

(decididamente, o Natal vai ser low cost...)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

{anita mamã}

 

Tenho andado a encontrar bilhetinhos espalhados pela casa... acho que me está a tentar fazer uma lavagem ao cérebro.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

{anita mamã}


Aparece-me o miúdo de revista aberta com foto do Johnny Depp: "Olha mãe! É aquele do Homem do Corta Unhas!"
E pumba! ... Nunca mais vou olhar para o Eduardo Mãos de Tesoura da mesma maneira.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

{anita mamã}

-Este livro é de banda desenhada. Sabes o que é banda desenhada?

-Sei. São histórias aos quadradinhos...

-Boa! é isso mesmo!

-... e nós temos de adivinhar qual é o quadradinho que vem primeiro e qual vem depois. Olha... podemos começar pelos grandes e depois lemos os outros!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

{anita mamã}




Caçada ao leão sobre toalha de mesa
 bigodes de crocodilo
 panteras pelo rabo em buracos de fechadura

(que bom que é conviver com a bicharada...)

quinta-feira, 22 de março de 2012

{anita mamã, etc.}


O meu filho tem quatro anos e uma namorada chamada Ema.
A Ema ofereceu-lhe um desenho. Os dois sentados num banco de jardim, o braço dele crescendo por detrás dela quanto baste para um abraço.
Estar apaixonado é desejar que o corpo chegue, que o corpo transborde, que os braços se estendam até onde os abraços pedirem.
Mesmo que depois se fique parecido com um monstro.
Estar apaixonado é perder o medo de ser um monstro. É perder o medo de monstros. 
(Até uma criança o sabe)


sábado, 25 de fevereiro de 2012

{anita mamã}

Enquanto caminhamos pelo bairro ele vai elaborando uma lista das coisas que não é possível reciclar e têm mesmo de ir para o lixo: cascas de banana, cascas de laranja, cascas de tutti-frutti...
E de repente pára e aponta: "olha ali um cogumelo". E eu digo que não estou a ver e ele diz: "ali, aquele pássaro preto com bico cor de laranja" E eu digo "ah! um melro!", e ele diz " ah...pois... se calhar não era um cogumelo, era só um melro, deixa...".

(e eu fico a pensar no que vale mais: as coisas ou o nome que lhes damos)