terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pierrots até enjoar!

É por estas e por outras que a Internet é a maior invenção desde a roda*!
Como nos podemos sentir estranhos se há sempre alguém pelo menos tão cromo como nós a um clic de distância?...
Entretanto descobri que a autora daqueles pierrots andrógenos é uma ilustradora japonesa chamada Mira Fujita...com muitos fãs no ciberespaço.


*ou desde a tesoura, o parafuso, as pipocas...

saudades dos 80's



Em 1986 eu andava na primeira classe. Os pierrots estavam na moda: ele era elásticos para o cabelo, blocos de folhinhas com cheiro que trocávamos e coleccionávamos, as capas dos cadernos... Infelizmente, a minha mãe não gostava de patrocinar coisas demasiado pirosas e nunca tive um caderno com pierrot. Também nunca tive uma malinha de plástico "madona"...
O meu 1º dossier tinha uma capa igual à do caderno em cima à esquerda. Era um cartoon do Ernst e vendo bem era mesmo giro... mas na altura preferia os pierrots. Foi por isso que não resisti quando encontrei estas relíquias numa montra da avenida de Roma. A "discoteca-papelaria-livraria Sinfonia" está a livrar-se das velharias e colocou a tralha à venda. por 2€ até é possível comprar um poster do Michael Jackson para colar na parede do quarto e viajar no tempo à séria. Do tempo em que o Michael J. era uma estrela luminosa, cujo moonwalk imitávamos no recreio e não aquele reformado esquisitóide em que infelizmente se tornou.
Para matar saudades do Michael.
Para conhecer o Ernst.
E uma grande concentração de saudosistas da infância nos 80'S.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Lido de fresco

A morte, apesar de ser o que temos de mais certo, não cabe no mundo dos vivos. O mundo dos vivos é um corrupio. Temos todos de chegar a algum lado, de conseguir alguma coisa, de seguir propósitos mais ou menos fúteis que nos preencham a vida. Até que um dia, para o qual nunca estamos preparados, somos obrigados a parar e a encarar a nossa mortalidade, a aceitá-la, e a aceitar também a “mentira” que nessa altura nos possa parecer a nossa vida.
É neste confronto entre a vida dos que vivem e a vida dos que morrem que Lev Tolstoi situa A morte de Ivan Ilitch.Por um lado temos Ivan Ilitch, um juiz respeitado que no auge da vida é tomado por uma desconhecida e debilitante doença e que luta solitáriamente contra a dor atroz e pela aceitação do seu destino fatal. Em torno dele, um mundo que continua a girar no mesmo sentido, um mundo onde o sofrimento de Ivan não passa de uma grande maçada e de um empecilho à felicidade dos que com ele convivem e onde a sua morte é uma possibilidade de acender profissionalmente ou de obter retornos financeiros. À excepção do criado Guerassime, ninguém ali parece lembrar-se de que um dia também vai morrer:


Além das reflexões sobre as nomeações e as modificações no serviço que podiam resultar daquela morte, o próprio facto da morte dum amigo provocou, como sempre, em todos quantos souberam da ocorrência, um sentimento de alegria: não fui eu, foi ele quem morreu.«Ora vejam! Ele morreu, e eu estou vivo!» Assim cada um pensava ou sentia. Quanto às boas relações de Ivan Ilitch, àqueles que eram contados como seus amigos, pensavam além disso, involuntariamente, que ainda tinham de cumprir os aborrecidos deveres de civilidade, que era forçoso assistirem ao funeral e fazerem uma visita de pêsames à viúva.” (p.9)


Porque é que Tolstoi é um monumento da literatura? Porque o seu olhar é aguçadíssimo e a destreza, a incisão e elegância da sua narrativa nunca desiludem o leitor...
Este livrinho é uma obra prima com menos de 100 páginas e é um excelente aperitivo para quem ainda está à espera de ter tempo para ler “Guerra e Paz” ;)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Achados



Adoro encontrar coisas dentro de livros. Confesso até já ter comprado um livro usado não pelo livro em si mas por ter percebido que dentro dele estavam vários papelinhos (que não me decepcionaram, devo dizer).
Também foi à custa dos leitores que se esquecem de coisas dentro de livros que enriqueci bastante a minha colecção de fotografias encontradas.
Um objecto esquecido num livro é como que uma relíquia, e por simples que seja ganha a dimensão de um pequeno tesouro.
Se é comum encontrar cartões de visita, flores e folhas secas, postais escritos ou não, papelinhos desenhados ou rabiscados, há também achados extravagantes (desde a lendária fatia de bacon ao preservativo do séc. XIX ) e até valiosos.
Se um livro é bom, um livro com brinde surpresa é ainda melhor... E não sou a única a pensar assim:


...E claro, o link para a bíblia virtual dos que se pelam por achados:
http://www.foundmagazine.com/

A pena da imagem foi encontrada dentro deste livro:




A dissertação para o doutoramento em medicina veterinária do autor, João Tendeiro, um dos maiores investigadores da fauna africana na época colonial.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Enternecedor?!



Enternecedor. Há quanto tempo não se ouvirá esta palavra na Assembleia Nacional? Onde está o carinho que a discussão dos projectos de lei deviam merecer dos representantes da Nação? Em 1937 parecia tudo tão mais fofinho!!!
É a infantilização do povo (tão típica do Estado Novo) em grande forma. E num livro de legislação.
Esta jóia foi encontrada em "Contrato Individual de trabalho" de Albertino de Matos, Coimbra editora, Coimbra, 1939 , página 8.

dedicatória


Uma dedicatória inesperadamente sensível num livro sobre contabilidade.
Encontrada em "A técnica da leitura de balanços" de F. Caetano Dias, 2ªedição, Lisboa 1944